Adversidades

Década de turbulências

Os anos 1990 foram os mais difíceis. Entretanto, renderam aprendizados e decisões corajosas

A década foi de transformações. Sob a direção de um grupo com uma nova filosofia empresarial, a UTC ainda teve que driblar as dificuldades financeiras que o período impôs. As medidas fiscais e monetárias do Plano Collor atingiram, em cheio, as atividades industriais e, consequentemente, as perspectivas da iniciativa privada.

“Foi a fase mais difícil pela qual passamos”, recorda João Durval, Líder Operacional de Engenharia de Construção. Nessa época, a UTC atendia na avenida Angélica, em São Paulo, onde a OAS possuía sede. O problema é que os clientes não apareciam. Com as privatizações em curso, cessaram os investimentos em segmentos como siderurgia, energia e petroquímica.

A UTC tentou contornar a maré baixa, procurando oportunidades em mares não desbravados, como serviços de montagem em outros segmentos. A Petrobras continuava sendo um cliente importante, embora com demanda reduzida. A boa notícia era que o mercado offshore recuperava o fôlego impulsionado por descobertas em águas profundas e ultraprofundas. Mas sua exploração exigia nova tecnologia, a de plataformas semissubmersíveis, mais sofisticada e muito mais cara.

As primeiras plataformas semissubmersíveis foram encomendadas a estaleiros no exterior, especialmente no Oriente Médio. A UTC tratou logo de se especializar. Em 1993, surgiu a oportunidade de participar da conversão da plataforma Zapata II na P-25, com produção de 100 mil barris de petróleo por dia. Vencida a concorrência, o contrato foi executado em regime de EPC e turn-key, pelo qual o contratado é obrigado a entregar o empreendimento em plenas condições de funcionamento. Executado de 1994 a 1996, no Estaleiro de Verolme, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, o projeto foi um dos mais complexos da UTC, que, mais uma vez, atendeu às expectativas do cliente.

Espírito empreendedor

Mas empreendimentos pontuais ainda não significavam lucros. Os investimentos continuavam escassos, e o mercado em baixa desestimulava a controladora a investir na área de engenharia industrial. Se, na construção civil, os contratos eram mais longos, mais caros e com riscos menores, na engenharia de montagem dava-se o inverso. O grau de dificuldade e os riscos assumidos eram grandes, sem falar que os projetos tinham menor duração, e o emprego da força de trabalho era bem maior.

A OAS decidiu vender a empresa, mas esbarrou-se na falta de compradores. Foi aí que o espírito empreendedor de alguns líderes da UTC falou mais alto. Quem se recorda desse episódio é Francisco Rocha: “Ricardo Pessôa, então Diretor Superintendente, fez-nos a proposta de assumirmos o negócio em uma operação pouco comum na época, conhecida por management by-out. Significava a transferência do controle acionário para nós, funcionários”.

Ele, Ricardo, João Argollo e Luiz Alberto Torres viajaram para o Rio de Janeiro e se isolaram durante um fim de semana, para estudar documentos jurídicos, setoriais e financeiros, em busca de uma decisão sensata. Parecia uma loucura assumir a UTC, mas eles saíram de lá convictos de que o fariam.

Em 1996, o controle da empresa passou para as mãos dos quatro líderes, que, dali em diante, assumiriam uma carga de responsabilidade muito maior. “Foi quando tivemos que nos tornar verdadeiramente empresários, com muito conhecimento sobre a nossa missão. Para mim, foi um divisor de águas”, conclui Rocha. O único capital de que dispunham – além das dívidas que a companhia havia acumulado – era a força de trabalho e disposição, além da visão comercial de Ricardo Pessôa.

Entusiasmo de antes

A empresa mudou de escritório, passando a atender na rua Bela Cintra, também na capital paulista. O clima lembrava o dos primeiros anos, com uma equipe entusiasmada em busca de trabalho. Os novos sócios entenderam que não seria o momento de crescer, mas de sobreviver no mercado. Trataram, também, de promover uma reestruturação financeira, que incluiu a renegociação das dívidas.

“Vimos muitas portas se fecharem, mas, felizmente, pudemos contar com a confiança de fornecedores e parceiros antigos, que acreditaram na nossa palavra e se dispuseram a assumir os riscos de se juntarem a nós”, salienta Rocha. “Não omitimos a nossa situação, o que pesou ao nosso favor. Assim, reconquistamos credibilidade.”

Aos poucos, obras pequenas começaram a recompor a carteira da empresa. Logo vieram projetos maiores, como a montagem eletromecânica da Usina de Igarapava, em São Paulo, para um consórcio integrado pela Vale. Em 1998, foi comemorado o primeiro contrato no segmento offshore após o management by-out: a montagem e instalação da plataforma P-32, executada na base de Macaé, no Rio de Janeiro.

Também nesse período, a UTC participou, em consórcio, da instalação da Usina Nuclear Angra 2, empreendimento que possibilitaria um valioso aprendizado na área de gestão de controle e a recolocaria entre as principais do setor. A empresa estava pronta, finalmente, para navegar em mares mais tranquilos.

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