Onshore

Em terra firme

A atuação onshore e a diversificação dos negócios foram essenciais para o crescimento da empresa

Os profissionais que contam a história da UTC são unânimes em concordar que a empresa surgiu no lugar e no momento certo. “Tivemos sorte e aparecemos em uma conjuntura muito favorável, em que havia poucas empresas especializadas no segmento em que atuávamos”, avalia Irena Balwierz.

Dentro desse contexto – e passada a ansiedade natural pelo primeiro contrato –, os trabalhos seguintes fluíram. Com a chegada de novos integrantes e maior sinergia entre as equipes, as dificuldades iniciais foram sendo superadas. O segundo projeto foi executado para a Petroquímica União (PQU), em São Paulo. O cliente requisitava uma proposta de detalhamento de modificações em duas fases de operação da sua planta.

Outros dois trabalhos, também para a PQU, vieram em sequência: as montagens das instalações elétricas da torre de refrigeração e do prédio da superintendência de obras. A equipe da UTC já não cabia na pequena sala da empresa, que passou a ocupar metade de um andar. “Crescemos rapidamente e nos tornamos, em poucos anos, uma das principais companhias de montagem industrial do Brasil”, salienta Francisco Rocha.

Os contextos econômico e político eram favoráveis ao surgimento de novos empreendimentos (leia box na página 12). O fortalecimento das indústrias petroquímicas e o início dos serviços onshore (terra firme) e offshore (no mar) requisitavam empresas que trabalhassem com logística, infraestrutura e montagem industrial. Em seus primeiros anos de atuação, a UTC encontraria terreno fértil para crescer, inicialmente nas atividades onshore.

Polo de Camaçari

Em 1975, deu-se um novo e importante ciclo para a história da empresa, impulsionado pela assinatura de um contrato para a Oxiteno Nordeste, no Polo Petroquímico de Camaçari. A tecnologia foi negociada com uma companhia americana, e o projeto básico foi bem-aceito pelo cliente. Em resumo, para a construção de uma nova planta de óxido de eteno. Um projeto grandioso para a época, de, aproximadamente, 60 mil homens-hora de engenharia.

A UTC novamente dobrou de tamanho. Em frentes de trabalho na Bahia, uma novíssima frota de ônibus transportava os integrantes até o Polo de Camaçari. E, em uma época em que a força de trabalho feminina era pouco comum nos negócios de óleo e gás, a empresa montou a primeira escola de soldadores do estado, composta exclusivamente de mulheres.

Com a conquista da Oxiteno Nordeste, a UTC Engenharia passou a ter atuação destacada em Camaçari, o que resultou em outro importante contrato: o da montagem das unidades industriais da Isocianatos Brasil, uma obra de cerca de 4 milhões de homens-hora, executada a partir de 1975. Em pouco tempo, a empresa ganhou uma credibilidade alcançada por poucas do segmento.

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Polo de Camaçari (BA)

Nova dimensão

Credibilidade que renderia bons frutos. Contratos importantes, como a Cemap – Central de Matérias-Primas 1a Fase, também em Camaçari, foram firmados, graças à confiança adquirida nos projetos anteriores. Na Cemap, a UTC foi responsável pela montagem da Unidade de Processo (Área Quente) da Central de Matérias-Primas para a Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene).

Durante a execução dos serviços em Camaçari, as equipes da “linha” de operação ergueram um reator de 360 toneladas para a Oxiteno Nordeste, fabricado em uma só peça, feito que se repetiu na obra da Nitrofértil – Cofen.
O içamento elevou a empresa ao status de referência nesse tipo de procedimento.

“Embora conseguíssemos, cada vez mais, destaque no Polo de Camaçari, passamos a ser conhecidos também por outros clientes”, sinaliza Francisco Rocha. Em 1977, a empresa foi responsável pela implantação de uma fábrica de aditivos químicos da Chevron, em Santo André, São Paulo. Apesar de ser uma obra de médio porte, foi o primeiro EPMC (Engineering, Procurement, Management and Construction) executado pela UTC e um dos primeiros do país. Uma modalidade de serviço pela qual o contratado centraliza todas as atividades e custos relativos à obra, desde o projeto à aquisição de materiais e equipamentos.

“Antes era diferente: prestávamos os serviços, mas o projeto e o suprimento eram responsabilidade do cliente. Com a modalidade de EPMC, os riscos enfrentados passaram a ser muito maiores, o que nos deu ainda mais maturidade empresarial”, avalia Francisco Rocha. “Isso foi fundamental, pois, hoje em dia, a maioria dos contratos é EPC.”

“As grandes”

Novos empreendimentos surgiam – a maioria em Cama-çari e em outras regiões do Nordeste, para clientes como Nitrofértil, DuPont e Tequimar. Em Mataripe, na Bahia, a UTC foi requisitada para as obras de montagem de tubulações e equipamentos na Refinaria Landulfo Alves, da Petrobras. Em curto espaço de tempo, a empresa passou a integrar o grupo das “grandes”, sempre assumindo uma posição de destaque na Abemi (Associação Brasileira das Empresas de Montagem Industrial), na qual, por muitos anos, o Diretor Superintendente Manuel Lopes foi Vice-Presidente.

Em 1977, a UTC inaugurou o seu primeiro escritório no Rio de Janeiro, com o objetivo de participar de um projeto de montagem da Usina Nuclear Angra 2 e de um consórcio offshore com empresas brasileiras e alemãs. O empreendimento acabou não seguindo adiante, mas a  parceria com os alemães deu à UTC know-how em processos executivos e experiência que lhe seria útil nas décadas seguintes.

O escritório do Rio, além disso, facilitou os contatos com a Petrobras, que possuía sede na capital fluminense. A localização estratégica resultaria no ingresso em um importante segmento da engenharia, o dos procedimentos em alto-mar. A indústria offshore teria, na parceria da UTC com a Petrobras, um caminho percorrido com sucesso. Trajetória que contaremos nas páginas seguintes.

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