Energia

Novos ventos, nova direção

Investimentos em energia renovável e um novo contexto econômico mudaram o curso da empresa e de seus integrantes

Quando decidiu participar da concorrência para a instalação da Usina Hidrelétrica de Itaipu, em 1977, a UTC Engenharia não nutria a expectativa de que sairia vencedora. As quatro principais companhias brasileiras de montagem industrial estavam consorciadas para, juntas, apresentarem uma proposta – que a UTC julgava ser a provável vencedora.

Alguns líderes da UTC acreditavam que poderiam capitanear o projeto e torná-lo competitivo. Estavam certos. Para a surpresa de todos, o consórcio liderado pela UTC venceu por uma diferença mínima de preço em relação ao segundo colocado. O consórcio do qual a UTC participava e a diretoria de Itaipu procuraram uma solução conciliatória: os dois consórcios formaram um consórcio-empresa, a Itamon.

Sua performance na hidrelétrica do Paraná chamou a atenção de outras organizações, como a Tenenge (posteriormente adquirida pela Odebrecht), que convidou a UTC para a execução conjunta da montagem da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, obra que se estenderia de 1982 a 1993. “Itaipu e Tucuruí foram dois dos mais importantes empreendimentos nesses 40 anos. Incursões bem-sucedidas em novas áreas, que nos qualificaram perante novos clientes e diversificaram nossa atuação”, avalia o Coordenador de Propostas Elias Jehá.

Versatilidade

Com experiências adquiridas em diferentes segmentos, a empresa criou superintendências, com o intuito de otimizar suas atividades. Em paralelo, os investimentos na área de óleo e gás continuavam firmes. A Petrobras incentivou  a UTC a investir em barcos próprios, que seriam utilizados em atividades de estimulação de poços de petróleo offshore para aumento de produção.

A conclusão dos primeiros contratos de hook-up e o início das operações nas plataformas Cherne e Namorado permitiam que a empresa se  fortalecesse no mercado. A diversificação, por sua vez, garantia sua versatilidade. Foi assim que surgiram convites para a construção de um “etenoduto”, da Salgema, em Maceió, para serviços em uma plataforma da Shell-Pecten, na Bacia de Santos, e para a Unidade de Isopropeno da Copene, na Bahia. Outros contratos para a Petrobras no Polo de Camaçari, na Bahia, e no Polo de Triunfo, no Rio Grande do Sul, “engordavam” o seu currículo.

Logo a UTC seria convidada a participar da concorrência para a Fase II da Copene, que incluía uma série de serviços. Dentre eles, a pré-fabricação e a montagem da “área quente” da nova unidade de eteno e a instalação de novos fornos de pirólise. Um dos maiores empreendimentos do país na época.

Pé no freio

A organização também ganhou a concorrência para a construção da primeira jaqueta da plataforma Vermelho, da Petrobras. “Essa fase de intenso crescimento foi fundamental para a empresa sobreviver a partir de 1985, quando a desaceleração da economia fez que houvesse menos incentivo à indústria. Nosso preparo foi fundamental para enfrentarmos um cenário desfavorável”, observa Francisco Rocha.

De fato. Com a alta da inflação e a dívida externa atingindo níveis críticos, em meados da década de 1980, a UTC sentia os primeiros efeitos da crise econômica que tomava o Brasil. Tinha fim a primeira fase offshore, sem que houvesse previsão de retomada. Diante da recessão, a UTC e outras empresas pisaram no freio em seus gastos.

Em um contexto desestimulador, eram comuns atrasos nos pagamentos dos clientes. Para completar, em 1991, o Governo Collor reduziu o papel do Estado nas atividades econômicas por intermédio  do Programa Nacional de Deses–tatização (PND), o que dificultaria, ainda mais, a situação de empresas que tinham como grandes clientes as estatais.

Os resultados da empresa dependiam de concorrências, e as previsões financeiras não projetavam lucros animadores. “O grupo começou a buscar interessados na compra da companhia, especialmente entre empresas de construção pesada”, recorda Irena Balwierz.

Após negociações, em 1991, foi fechada a venda para a Construtora OAS. “Com a aquisição, chegaram outros profissionais, como Ricardo Pessôa (hoje Presidente da UTC Engenharia e da UTC Participações) e João Argollo (hoje Vice-Presidente da UTC Engenharia e da UTC Participações)”, emenda. Tinha início a influência de descentralização, diferentemente da postura adotada pela controladora anterior.

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