Superação

Século novo,
novas perspectivas

O início dos anos 2000 foi marcado pela retomada do crescimento mediante a um reposicionamento da empresa no mercado

Com o reaquecimento da economia mundial e a valorização do barril de petróleo, os investimentos surgiram novamente, embalados por novas expectativas e descobertas no Brasil. Os clientes voltaram a procurar empresas qualificadas e deram de cara com a UTC repaginada. “Conseguimos surfar nessa onda e crescemos muito, entre 15% e 20% ao ano”, salienta o Diretor Superintendente de Petróleo e Gás Offshore, Mauro Cruz.

A obra que marcou essa retomada foi a conversão da P-47. Depois de um longo período sem projetos de grande porte na área offshore no Brasil, especialmente na modalidade EPC (Engineering, Procurement and Construction), a Petrobras voltou a demandar serviços das empresas de montagem industrial.

O empreendimento teve início em 2002 e transformou um navio de transporte de petróleo em unidade de produção e estocagem, com capacidade de tratar 150 mil barris de óleo por dia e armazenar 1,7 milhão de barris. O tratamento permitiu que o óleo ganhasse qualidade para ser exportado. “Foi um projeto grandioso: um casco VLCC (Very Large Crude Carrier), um dos maiores que já tivemos”, afirma Mauro Cruz. “Ter vencido esse desafio foi um marco, fez que nosso principal cliente passasse a nos olhar de outra forma.”

O faturamento anual do projeto correspondeu aos rendimentos totais da UTC no mesmo período, o que fez que as receitas da empresa dobrassem. E logo vieram outras obras.  Uma delas, em 2004, foi a construção, em consórcio, da Plataforma de Rebombeamento Autônoma PRA-1, com capacidade para receber e bombear 750 mil barris de óleo por dia, dando vazão à quase metade do que então se produzia na Bacia de Campos. Na sequência, vieram as conversões completas da P-53 e da P-63 e a Construção da P-55, por intermédio de uma sociedade constituída com outras grandes empresas do mercado.

Planejamento estratégico

Com o aumento dos contratos no setor, foi preciso investir em infraestrutura operacional para dar conta de tantos projetos. A ideia era reestruturar a base de construção de módulos em Niterói e a base de apoio às operações na Bacia de Campos. Hoje, a UTC possui 112 mil metros quadrados em área industrial com acesso ao mar em Niterói e 120 mil metros quadrados em Macaé, onde trabalham, somados, 7 mil profissionais.

Também houve investimentos em treinamento e tecnologia, por meio de parcerias com universidades brasileiras, em especial na área de engenharia de soldagem. A preocupação era responder aos desafios impostos pelo aumento da profundidade dos reservatórios e às novas características do óleo. “A Petrobras vem inovando, e analisamos que seria preciso acompanhar essa evolução. Fomos os primeiros a utilizar soldagem automática para aços inoxidáveis Duplex e Superduplex, mais resistentes à corrosão”, salienta Mauro Cruz.

As áreas de pintura industrial e engenharia de acesso também passam por aprimoramentos constantes. O objetivo é desenvolver novas técnicas e, com isso, garantir a segurança dos trabalhadores e o aumento da produtividade. Toda essa preocupação é recompensada. A UTC participou de cerca de metade dos contratos firmados pela Petrobras na Bacia de Campos, na área offshore, nos ciclos de conversão e módulos (top side). “Nos últimos 10 anos, produzimos 41 módulos. É uma das atividades mais maduras e tecnicamente desenvolvidas na empresa”, destaca Mauro Cruz.

Também na área de pré-operação e manutenção de plataformas, a empresa destaca-se. A Base Macaé, que opera há 35 anos, responde por mais de 50% do mercado e atende hoje a mais de 30 plataformas simultaneamente. “Nossa velocidade de resposta a emergências, o planejamento detalhado das atividades de manutenção preventiva e as inovações tecnológicas para pintura industrial semirro-botizadas são nossos principais destaques.”

Da produção ao refino

Com o crescimento na produção de petróleo no país, era natural que esse movimento fosse seguido pela modernização das refinarias. Em 2008, a UTC participou de um feito: o içamento da torre T-9703, com 915 toneladas e 110 metros de altura na Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo. Foi o maior içamento vertical em peça única da engenharia brasileira e ocorreu durante a construção da Unidade de Propeno, com capacidade para produzir
726 toneladas/dia do derivado.

Nos anos seguintes, vieram obras de ampliação na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, no Paraná, e da Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos, São Paulo. Nesse período, os contratos mantidos com a Petrobras chegaram a representar mais de 60% do faturamento da UTC Engenharia.

Consolidando essa parceria, a empresa realizou a instalação da Central de Utilidades do Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), no Rio de Janeiro. Lá são realizadas pesquisas aplicadas de exploração de petróleo em águas profundas,  fundamentais para alimentar o ciclo de crescimento do setor.

Diversificação estratégica

Mas se engana quem pensa que petróleo é o único combustível a mover as engrenagens da UTC Engenharia. Em 2001, a empresa voltou a participar, em consórcio, da montagem de unidades geradoras na Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu. Seguiu diversificando sua atuação em outros setores estratégicos, com contratos na área de papel e celulose, com a implantação da Veracel, em 2003, e, na área de siderurgia, com aprimoramentos nas unidades da Gerdau Açominas, um dos clientes mais longevos da UTC. “É uma relação que já dura 14 anos. Tivemos 12 contratos com a Gerdau nesse período”, ressalta Carlos Galvão, Diretor Superintendente responsável pelo segmento industrial.

Um dos contratos foi para a construção do Alto-Forno n° 2, com produção de 1,5 milhão de toneladas ao ano de ferro-gusa, o que incrementou em 50% a produtividade da usina localizada em Ouro Branco, Minas Gerais. Esse foi o primeiro alto-forno na América Latina a contar com tecnologia chinesa.

Com a consolidação das atividades relacionadas ao petróleo e a diversificação dos seus negócios, a empresa capitalizou-se para os grandiosos investimentos que faria nos próximos anos. Investimentos decisivos para que a UTC se transformasse no que é hoje: sinônimo de competência no que faz.

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