Perspectivas

Visão de futuro

A UTC transformou-se em uma holding com atuação diversificada e metas de curto e longo prazo

Nos últimos cinco anos, os investimentos em petróleo vêm possibilitando numerosos contratos da UTC na área de Óleo e Gás. Uma dessas vertentes de crescimento está na modernização das refinarias brasileiras. A empresa, que já havia participado de obras em três delas – na Refinaria de Paulínia (Replan, SP), na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar, PR) e na Refinaria Henrique Lage (Revap, SP) –, atualmente executa contratos na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap, RS) e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

O Comperj é um dos maiores empreendimentos já realizados pela Petrobras. Nele, serão produzidos derivados de petróleo e produtos petroquímicos de primeira e segunda gerações. A UTC participa da construção da Central de Utilidades (que irá fornecer energia elétrica, vapor, água e tratamento de despejos industriais para todo o complexo) e do Pipe Rack (interligação entre tubulações) da unidade U-6100. No projeto, foram utilizados módulos com até 42 metros de comprimento, pesando cerca de 700 toneladas cada um. “Interligar esses módulos resulta em uma operação extremamente complicada”, explica Antônio Carlos Miranda, Diretor Superintendente de Petróleo e Gás Onshore.

A UTC também vem ajudando o país a crescer de forma sustentável, a partir da redução de gases poluentes. A Refap está sendo modernizada para produzir Diesel S-10, que emite 10 partículas de enxofre por milhão, em vez das 50 ppm atuais. A empresa é responsável por todo o detalhamento de projetos e pelo fornecimento de equipamentos, além da montagem eletromecânica, das obras de construção civil e dos testes e apoio à pré-operação.

Maturidade em refino

Para Antônio Carlos Miranda, a área de refino já atingiu considerável maturidade, e os investimentos devem se concentrar na exploração de petróleo. “Mas prevemos, para o futuro, a construção de mais duas refinarias, no Maranhão e no Ceará.” Isso porque, com a exploração das camadas do pré-sal, a Petrobras espera produzir cerca de 4 milhões de barris diários no período de 2020 a 2030. “Hoje, a capacidade de refino é de cerca de 2 milhões. Será preciso preparar o país para suprir esse acréscimo.” 

Para acompanhar as demandas do pré-sal, a organização investe em conhecimento. A empresa desenvolveu uma tecnologia própria de secagem de gás e remoção de CO2 e H2S, que será implantada na ampliação do Terminal de Cabiúnas, no Rio de Janeiro. “Desde a fase de projeto até a operação, vamos utilizar tecnologia da UTC”, salienta Miranda.

Em exploração de petróleo, uma das obras marcantes dos últimos anos teve início em 2009, mesmo ano em que a UTC se mudou para a sua atual sede, na Chácara Santo Antônio, em São Paulo. O projeto envolveu a construção do topside (conjunto de módulos) e a integração da plataforma semissubmersível P-55, a maior já feita no Brasil. Outra tarefa para gente grande será a construção de sondas de perfuração para a Sete Brasil. Em sociedade com outras três empresas – que, juntas, formam a Enseada Indústria Naval –,
a UTC construirá seis navios-sonda no Estaleiro Enseada do Paraguaçu, na Bahia, de um total de 28 licitados.

O estaleiro também irá suprir a uma carência no ciclo de construção de plataformas: a da integração. Como a Base Niterói possui restrição para atuação de grandes embarcações, os módulos construídos no canteiro não podem ser transportados e integrados ao casco dos navios. A Enseada, que dispõe de infraestrutura para a transferência dos módulos, já possui contratos de conversão de quatro cascos (P-74, P-75, P-76 e P-77). Nasce gigante, com uma carteira inicial de encomendas que soma US$ 6,5 bilhões.

Para Ricardo Pessôa, Presidente da UTC Engenharia e da UTC Participações, o momento é de avaliar os novos investimentos no setor de óleo e gás. “Existem perspectivas de crescimento constantes, principalmente graças aos investimentos da Petrobras na exploração e produção de petróleo nas camadas do pré-sal”, avalia. “Sem dúvida, é um mercado importante para as empresas que prestam serviços na área offshore.”

Mineração e siderurgia

A empresa retomou os investimentos em mineração em 2011, quando realizou obras na Mina de Carajás, depois de quase 10 anos sem executar serviços para a Vale. A jazida é considerada o maior complexo minerador a céu aberto do mundo e funciona em um local de difícil acesso, no meio da Floresta Amazônica. Com a ampliação, a sua produção de ferro foi aumentada em 40 milhões de toneladas anuais.

Durante a operação, não houve registros de acidentes de trabalho com afastamento, feito comemorado pelas equipes da UTC. “Montamos tudo no solo, com programação 3D para a visualização dos módulos, e subimos o conjunto pronto. A metodologia diminuiu o trabalho em altura e, consequentemente, os acidentes”, explica Carlos Galvão. Pela obra, a UTC foi premiada pela Vale como a melhor empresa de montagem em 2012.

No setor de siderurgia, merece destaque a construção simultânea de dois Alto-Fornos da Thyssenkrupp CSA, no Distrito Industrial de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. O cliente havia contratado outra empresa, que não conseguiu concluir o serviço, e a UTC foi convocada para assumi-lo. “Pegamos o avião no ar, tendo que trocar o piloto, algo desafiador. Para o mercado, ficou marcada a construção paralela dos Alto-Fornos”, afirma Galvão.

Infraestrutura

A fim de diversificar seus investimentos, a UTC Partici-pações – holding da qual faz parte a UTC Engenharia – adquiriu, em 2010, a Constran, empresa de construção pesada que possui mais de 50 anos de experiência em importantes obras de infraestrutura. Com a compra, a organização completou seu leque de atuação e agora oferece serviços que vão de engenharia industrial a construção pesada. A aquisição representou aumento de 140% nos ativos e 52% em seu patrimônio líquido.

“Um país que necessita se desenvolver seguramente terá que investir na sua infraestrutura”, salienta Ricardo Pessôa. “Para nós, a aquisição da Constran é de grande importância estratégica. A empresa tem o importante papel de atuar no segmento da construção pesada, com ênfase em obras que contribuam para o desenvolvimento do Brasil.”

Um dos principais empreendimentos da Constran é a ampliação do aeroporto de Viracopos, em Campinas, São Paulo, por meio da Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos. A meta é transformar o aeroporto em um dos maiores da América Latina, passando dos atuais 9 milhões de passageiros para ambiciosos 90 milhões. O desafio é construir novos terminais e pistas e modernizar a administração. “Queremos oferecer serviços mais modernos, com facilidades para o passageiro, como já ocorre na Europa e nos Estados Unidos”, salienta João Santana, Presidente da empresa.

Mobilidade urbana é outro foco da Constran, que participa do consórcio Expresso Linha 6, responsável pela construção da Linha 6 (Laranja) do metrô de São Paulo. O contrato da parceria público-privada tem duração de 25 anos. “Vamos utilizar a metodologia shield (tatuzão), uma das mais modernas do mundo”, acrescenta Santana. A Constran é quem mais construiu ferrovias no Brasil nos últimos anos, chegando a mais de mil quilômetros entregues.

Desafios futuros

Os projetos estruturados e os novos negócios representam um salto na trajetória da UTC Participações. Historicamente presente no segmento de construção, a holding participa dos processos de privatização, por meio de concessões e de novos negócios, como as concessões do Aeroporto de Viracopos e da Linha 6 do Metrô em São Paulo, assim como da Enseada Indústria Naval e do Aeroporto de Feira de Santana, na Bahia. Para dar conta dos desafios futuros, em 2012 foi criada a UTC Investimentos.

A UTC irá participar de concorrências para construir e operar plataformas petrolíferas FPSOs (Uni-dades Flu-tu-antes de Produção, Armazenamento e Descarga). “Pas–samos a assumir o risco da performance, que supõe a gestão de contratos de longo prazo”, afirma Mauro Cruz. Das cerca de 30 plataformas FPSOs que serão licitadas nos próximos 10 anos, a expectativa é de que a UTC fique com, pelo menos, uma delas por ano.

De indústrias a infraestrutura, de infraestrutura a conjuntos residenciais e comerciais. Outro braço da holding, a UTC Desenvolvimentos Imobiliários, dedica-se a esse segmento. Um dos maiores projetos realizados pela empresa é o Dual Medical & Business, localizado em Lauro de Freitas, na Bahia. O edifício comercial terá 70 salas odonto-médicas, 137 salas empresariais e 20 lojas.

Para João Argollo, o setor atravessou um boom nos últimos oito anos, com ampla oferta de novos complexos comerciais e residenciais, o que fez que o setor – incorporadores, construtores e  imobiliárias – se utilizasse da “inteligência” geográfica de mercado para o desenvolvimento, o lançamento e a comercialização de novos empreendimentos. “O recado dado pelo mercado e por especialistas é ter prudência. É isso que a UTC Desenvolvimento Imobiliário está buscando, identificar oportunidades por meio da oferta de produtos diferenciados.”

A holding também possui como estratégia de crescimento o mercado internacional. Na medida em que suas empresas se complementam e ganham em sinergia, torna-se mais concreto o seu projeto de expansão. Atualmente, a UTC mantém escritórios nos Estados Unidos e no Peru. Em 2014, foi criada a UTC Construction, com o objetivo de prestar serviços de construção e montagem no Texas, nos Estados Unidos. “Essa é a nossa prioridade daqui por diante, desenvolver-nos nesses dois mercados”, sintetiza Ricardo Pessôa.

Por tudo isso, fica uma certeza. A de que o espírito inovador e comprometimento com a qualidade dos serviços prestados continuarão guiando a UTC Engenharia, braço de uma organização descentralizada e múltipla. A UTC completa 40 anos de seriedade e visão estratégica. Não restam dúvidas de que esteja pronta para os próximos 40.

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